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Coisas que não me importava de ter na minha cozinha #5




Com miúdos pequenos em casa é difícil o Halloween passar-nos ao lado.
Apesar de não morrer de amores pela data, todos os anos tento fazer qualquer coisa diferente com os miúdos: fazer caras de abóbora - com marcador preto - em balões cor-de-laranja, decorar cupcakes, fazer bolachas com formas 'assustadoras'.
E como gosto da ideia de celebrar, seja qual for o motivo, até me via a decorar uma mesa alusiva ao tema. Estas são algumas das coisas que usaria e a minha escolha seguiu um critério de utilidade: todos os elementos da wishlist não são específicos do Halloween, podendo ser usados noutras ocasiões.

Para outras sugestões sobre este tema, incluindo receitas e decoração DIY, dêem uma vista de olhos ao meu quadro Halloween no Pinterest.

Boa semana!

Das minhas combinações de Outono favoritas.


















Lembram-se de vos ter falado, mais precisamente no final deste post, de que muitas vezes usava tortilhas para fazer pizzas?
Aqui está a prova.
A maior parte das vezes faço a massa de pizza de raiz e consigo estendê-la assim fininha, que é como gostamos cá em casa. Mas há dias em que o tempo ou a vontade de pôr as mãos na massa (ou a massa na Bimby, melhor dizendo) é pouco, e ter tortilhas em casa prontas a usar é um bom atalho.

Recentemente, fiz uma cirurgia dentária e durante alguns dias só pude comer papas e purés. Como os rapazes me tinham pedido pizzas para o jantar, tentei fazer um 2 em 1: puré de abóbora e cenoura para mim, pizza com este puré na base para eles (claro que o topping das pizzas dos mais pequenos não foi bem este). Abóbora, curgete, cebola roxa e queijo de cabra: uma das minhas combinações favoritas em pizza. Normalmente, uso a base de molho de tomate, colocando de seguida abóbora salteada. Mas esta versão, que substitui o molho de tomate pelo puré de abóbora, é ainda melhor. Quem o diz é o provador-mor. Mas eu acredito, porque o puré, que comi às colheres, estava uma delícia.

E com estas cores e sabores, é um boa sugestão para um jantar ou festa de Halloween: façam estas pizzas em versão mini (cortando as tortilhas ou a massa de pizza com cortadores redondos de bolachas) e têm uma bonita e saborosa entrada.

















PIZZA FÁCIL DE OUTONO

Para o puré*:

Cerca de 400 g de abóbora menina (pesada já descascada)
1 cenoura
1/2 cebola 'normal'
1/2 cebola roxa
2 dentes de alho
Sal e pimenta preta qb
Sementes de cominho ou cominhos em pó qb
Cerca de 1/2 chávena de leite
Azeite qb

Para 4 pizzas (p/ 2 pessoas, pois estas pizzas ficam relativamente pequenas):

4 wraps/ tortilhas de compra
2 chávenas de puré de abóbora e cenoura
1 curgete partida em fatias fininhas
1/2 cebola roxa
1 queijo de cabra médio ou 1/2 queijo tipo Feta
Pimenta preta
Rúcula para servir

Numa sertã com um pouco de azeite, levar a alourar a cebola, partida em meia-luas, e os dentes de alho laminados, até a cebola ficar translúcida e amarelada. Juntar a cenoura partida em cubinhos, deixar cozinhar um pouco, e juntar a abóbora partida em cubinhos também. Temperar com sal, pimenta e cominhos a gosto. Deixar saltear mais um pouco e juntar o leite (não deite todo de uma vez, vá acrescentando à medida que vai ficando com pouco líquido). Deixe cozinhar, em lume baixo, até estar bem macio. Rectifique os temperos e triture com a varinha mágica ou num robot de cozinha.

Para fazer as pizzas: ligue o forno nos 210º. Forre um ou mais tabuleiros com papel vegetal e leve as tortilhas ao forno durante cerca de 3/4 minutos para ficarem mais crocantes.
Retire e coloque por cima das tortilhas, espalhando por todo, uma colherada do puré de abóbora. De seguida faça uma camada com fatias de curgete. Espalhe a cebola roxa e termine com o queijo desfeito em pedaços. Leve ao forno uns 10 minutos. Antes de servir, salpique com pimenta preta acabada de moer e espalhe folhas de rúcula.

*Quase de certeza que não vai usar todo o puré nas 4 pizzas. Faça mais pizzas ou dê-lhe outra utilização: sirva-o com um assado ou junte-o à base de uma sopa com sabores de outono. Pode fazer o puré com alguma antecedência, até um ou dois dias antes, e na altura é só montar a pizza e levar ao forno! 

Para um lanche de Outono.


Quando as maçãs de Trás-os Montes chegam com fartura a minha casa, por mãos familiares amigas, sei que estamos no Outono.
E que já não tenho de arranjar desculpas para ligar o forno numa base... diária.
Apesar de muito saborosas quando comidas ao natural, há sempre algumas que acabam em doces e sobremesas.

A massa deste rolo é uma adaptação da torta de Viana: desta vez usei mais um ovo (eram pequenos) e açúcar amarelo. Quanto ao recheio foi uma experiência para duas receitas: um gelado que espero conseguir fazer em breve e a que hoje vos trago. É um bolo simples, mas que sabe bem com uma chávena de chá, agora que os dias começam a pedi-lo.

Mas antes de passarmos à receita, queria falar-vos da bonita panela que aparece nas fotos.
É uma Le Creuset e surge no âmbito de uma colaboração entre o Lume Brando e esta marca francesa, conhecida pelos seus tachos e panelas em ferro fundido. Apesar de ter começado a usar os produtos da marca há pouco tempo (mas suspirava por eles há muito) estou encantada: aquecem de uma forma surpreendente. Parece que estamos a cozinhar com gás e não com placa eléctrica ou de indução (eu gosto de cozinhar com gás, acho que a comida fica com outro sabor, mas em casa não tenho) e são fáceis - muito fáceis mesmo - de lavar e limpar (apesar das peças poderem ir à máquina, são tão bonitas e especiais, que as tenho lavado à mão). Bem sei que o preço pode ser um entrave à compra, mas pensem nestas panelas como um investimento para a vida. Sim, porque a Le Creuset oferece garantia vitalícia. Podem seguir as novidades da marca aqui.














ROLO DE MAÇÃ COM CANELA

Para o recheio:

Cerca de 1 kg de maçãs partidas em cubos  (pesadas já sem casca)
1/2 chávena mal cheia de Vaqueiro líquida
4 colheres de sopa açúcar amarelo
2 colheres de sopa de rum
1 pau de canela
1 limão
Canela em pó qb

Descascar e partir as maçãs aos cubinhos para uma taça e regar com sumo de 1/2 limão. Levar ao lume a Vaqueiro e o açúcar. Deixar o açúcar derreter e introduzir as maçãs com o pau de canela e o sumo da outra metade do limão. Envolver bem as maçãs na mistura de Vaqueiro e açúcar e deixar cozinhar até começarem a amaciar. Juntar o rum e deixar cozinhar mais algum tempo. Se vir que está com pouco líquido, junte um pouco de água. Estará pronto quando grande parte dos pedacinhos de maçã já estiverem desfeitos em puré. Junte canela em pó a gosto, prove e rectifique se for necessário. Descarte o pau de canela e deixe arrefecer.

Nota: no rolo usei cerca de 2/3 da quantidade do recheio. O resto espero vir a usar num gelado :)

Para a massa:

7 ovos pequenos (ou 6 normais), separados
Raspa de limão qb
125 g de açúcar amarelo + algum para polvilhar
100 g de farinha sem fermento
Açúcar em pó e canela para polvilhar

Pré-aquecer o forno nos 200º.
Forrar um tabuleiro (usei um com 36 x 24 cm) com papel vegetal e untar com manteiga ou spray desmoldante.
Bater bem as gemas com o açúcar amarelo e a raspa de limão (desta vez usei um batedor de varas e bati cerca de 5 minutos). Bater as claras em castelo e envolvê-las na mistura das gemas.
Adicionar a farinha, envolver bem para que fique integrada na massa.
Verter sobre a forma, alisar e levar ao forno cerca de 12 minutos (este cozeu mais rápido do que a torta de Viana costuma cozer!) ou até o palito sair seco do seu interior (usar um palito fininho, para que o furo não se note).
Desenformar sobre um pano de cozinha húmido e polvilhado com açúcar amarelo.
Retirar o papel vegetal com cuidado e barrar com o recheio de maçãs.
Aguardar uns 10 minutos e enrolar com a ajuda do pano.
Deixar que arrefeça mais um pouco, aparar as extremidades, para ficar mais bonito, e passar para o prato de servir. Polvilhar com uma mistura de açúcar em pó e canela.


Outras receitas com maçã:

Maçã assada com crumble de amêndoa
Tarte leve de maçã e amêndoa
Torta de maçã
Bolo de maçã




Breaking bread.






Esta é daquelas receitas que resulta sempre.
Podemos trocar ingredientes ao sabor do que há na despensa, podemos fazer versões mais ou menos saudáveis, podemos fazê-lo de véspera ou até com mais antecedência: embrulhado em película aderente ou papel de alumínio, continua húmido e delicioso durante vários dias.
A receita base está aqui, mas esta versão, feita com azeite em vez de manteiga e com pedacinhos de chocolate, é ainda mais irresistível.

O nome original deste tipo de bolo, muito popular nos Estados Unidos, é 'banana bread', mas confesso que nunca percebi muito bem porque é que lhe chamam pão em vez de bolo. A minha teoria - muito particular e sem qualquer pesquisa por detrás - é que antes das preocupações relativamente recentes neste país em relação à alimentação saudável, toda a receita que levasse menos de 350 g de açúcar não podia ser considerada bolo ou doce...

Chamem-lhe pão, bolo, não importa. O que importa mesmo é que experimentem e que me digam se não é daquelas receitas maravilhosas e viciantes. E podia dizer que é por ser viciante que brinquei no título com o nome de uma famosa série de televisão, mas não. Foi mesmo só porque não resisti ao trocadilho!


BANANA BREAD COM NOZES, AVELÃS E CHOCOLATE

70 g de azeite Gallo Frutado*
100 g de açúcar amarelo
3 ovos
2 bananas médias maduras
130 g farinha 55 sem fermento
100 g avelãs (70 g p/ farinha e 30 g partidas aos pedaços)
1 colher de sopa de fermento
60 g de frutos secos - usei 30 g nozes e 30 g avelãs - partidos em pedaços
50 g de chocolate de culinária em pedacinhos (ou pepitas de chocolate)

Pré-aquecer o forno nos 180º.
Para intensificar o sabor da avelã, e porque usei avelãs inteiras, com pele, levei-as numa frigideira anti-aderente ao lume, para as tostar e conseguir mais facilmente retirar-lhes a pele. Depois de tostadas (ter atenção que é um processo rápido), embrulhei-as num pano de cozinha limpo e friccionei o pano na bancada, fazendo as avelãs rasparem umas nas outras, de forma a soltar-se a pele. Pesei 70 g e moí na Bimby, para a farinha, e parti em pedaços os 30 g que sobraram para incorporar mais tarde na massa.
Untar muito bem com azeite ou manteiga e polvilhar com farinha uma forma de bolo inglês (se não quiser correr riscos ao desenformar, forre o fundo com papel vegetal e volte a untar/polvilhar).
Bater o açúcar com o azeite até ficar bem misturado e juntar os ovos, um a um. Juntar as bananas previamente esmagadas com um garfo. Juntar as farinhas (130 g farinha trigo 55 + 70 g farinha avelã) e o fermento. Adicionar por fim os frutos secos e o chocolate. Envolver bem e verter na forma. Levar a cozer cerca de 45-50 minutos.
Deixar arrefecer um pouco e desenformar.


*Quem me deu a conhecer este azeite, ideal para receitas doces, em que não queremos que o sabor do azeite sobressaia, foi a Ondina, do Coentros & Rabanetes. E foi uma dica estupenda: desde que o usei pela primeira vez, tento ter sempre uma garrafa deste azeite em casa, para receitas especiais. Espreitem o seu blog, está cheio de receitas tão saudáveis como deliciosas!

Coisas que não me importava de ter na minha cozinha #4















Hoje é dia de wishlist!
E para variar, desta vez trouxe livros.
Já lá vão os tempos em que comprava meia dúzia de cada vez. Com os dois filhos na escola, o orçamento familiar teve de ser canalizado para outras prioridades e os livros começaram a chegar mais espaçadamente e em datas especiais. Mas não é por isso que deixo de suspirar e enviar à sucapa títulos de livros para o provador-mor... assim, como quem não quer a coisa.

A numeração das imagens foi aleatória e se tivesse de escolher o próximo livro a ter nas minhas mãos, talvez fosse o "Fish", de Tom Aikens. Na recente viagem a Londres estive num dos seus Tom's Kitchen e para além de ter gostado imenso do espaço e da comida, fiquei deliciada com o livro. Não é muito vulgar encontrar livros só com receitas de peixe, sobretudo com a qualidade deste. E pode vir a ser uma grande ajuda, numa altura em que os rapazes torcem cada vez mais o nariz sempre que a refeição é peixe (a sério, mas as crianças já vêm com este chip? Mesmo que depois comam e até elogiem, a primeira reacção quando lhes digo que é peixe, é de rejeição...).

Pus na lista o Chilli Notes, de Thomasina Miers, porque apesar de adorar comida com algum picante, sou péssima a usar chilli, seja fresco ou piri-piri. Ou não se nota, ou fica demasiado potente para as papilas gustativas cá de casa. Pode ser que o livro me mostre a luz!

O The Painted Cake é mais para deliciar os olhinhos do que para pôr em prática, pois não sou nenhum às do pincel. Mas adoro os bolos, ou melhor - as obras de arte - da Nevie-Pie Cakes.

Destaco ainda o Risotto with Nettles ('risotto com urtigas'), de Anna Del Conte, uma italiana radicada em Inglaterra, autora de imensos livros sobre gastronomia, a quem muito se deve a paixão dos ingleses pela comida italiana. Este livro combina uma espécie de autobiografia com receitas.

Quanto às outras sugestões... bem, pelos títulos, pelos autores e pelas capas, dá para perceber que ia passar uns bons momentos a folheá-los, não?

Boa semana!


Nota: como não consegui importar os livros para a minha conta do Polyvore,  tive de fazer o mix das imagens noutro programa, daí o aspecto diferente em relação às wishlists anteriores. Aproveito para vos dizer que, uma vez que não estou a conseguir publicar posts com receitas com maior frequência, esta rubrica passa a quinzenal, para haver um maior equilíbrio de temas e posts aqui no estaminé. Obrigada por estarem aí desse lado! Já sabem que me podem seguir também no facebook e no instagram!




Londres [3ª parte e um crumble de vegetais]



















































Com este post, termino os relatos sobre a minha recente escapadela a Londres.
Para quem não leu os anteriores (aqui e aqui), esta aventura foi impulsionada, e em parte patrocinada, pelo meu grupo de amigos, que nos meu 40 anos me surpreenderam com vouchers para workshops no Recipease e um pé-de-meia para a viagem.

Com amigas a viver em Londres, estas miniférias foram ainda mais especiais. Tivemos companhia praticamente a todas as refeições e deixámo-nos guiar pelas escolhas e sugestões de quem já conhece bem a cidade.
Quase não fotografei os restaurantes e a comida, mas não queria deixar de fazer um pequeno registo sobre os sítios por onde passámos. O meu preferido foi o Tom's Kitchen e mais abaixo encontram uma receita de crumble de legumes, que pretende ser uma aproximação ao que eu comi no brunch que lá fizemos. Enjoy!

Pret a Manger - uma cadeia de refeições e snacks rápidos muito parecida com a nossa Go Natural. Por muitos planos que se possam ter sobre sítios a experimentar em Londres, a cidade é tão grande, que não é fácil conseguir cumprir a lista. Quando a fome apertou e já sem pernas para procurar outras hipóteses mais famosas para o almoço, o Pret a Manger foi uma opção que se revelou acertada: sanduíches frescas, com conjugações interessantes de ingredientes, variedade de sumos naturais e atendimento muito simpático.

Busaba - comida tailandesa óptima. Serviço rápido, ambiente cosmopolita, staff simpático. Gostei bastante.

Budha-Bar - cozinha asiática e de fusão. Para além do sushi, o forte são os pratos de inspiração chinesa e tailandesa. Aqui, comi um prato vegetariano com batata doce como ingrediente principal muito interessante, sobretudo pelas especiarias usadas. Um restaurante com decoração, ambiente e música de tipo 'clubbing', à falta de melhor palavra para o descrever!

Bread Street Kitchen  (mosaico de fotos inicial) - um dos muitos restaurantes de Gordon Ramsay. Enorme mas bem decorado e confortável, com menus relativamente acessíveis, sobretudo quando comparado com os seus conceitos reconhecidos com estrelas Michelin. A comida era muito boa - as pizzas de flat bread e o macaroni and cheese que pedimos de entrada eram absolutamente deliciosos. Foi um dos jantares mais divertidos da estadia, porque éramos oito, todos portugueses, quatro a viver em Londres, quatro de passagem, vivências comuns pelo meio, coincidências engraçadas e bom vinho a acompanhar.
No início do jantar, quando os últimos convivas chegam para se juntar ao grupo, surge a notícia bombástica: o Gordon Ramsay está no restaurante, a jantar com a família. Automaticamente, sete vozes em uníssono dirigem-se à minha pessoa: "Tens de lá ir! Já viste que coincidência?! Vai lá tirar uma foto com ele!".
Bem, quem me conhece, sabe que eu não sou nada de interpelar desconhecidos, quanto mais famosos. Mas pronto: era o Gordon Ramsay. E eu já tinha bebido um gin. Respirei fundo e dirigi-me à mesa onde me tinham dito que ele estava. Muitas cabeças loiras. Ele na ponta. Interrompi da forma mais educadamente e simpática que consegui, apresentando-me como uma food blogger portuguesa que não queria acreditar na sorte em vê-lo ali.
Infelizmente, o entusiasmo não foi recíproco. O homem olhou para mim com a cara mais chateada que vocês podem imaginar (o que não é muito difícil, se seguem os seus programas na SIC Radical) e apeteceu-me logo fugir. Mas não, como sou uma verdadeira crente, ainda perguntei se podia tirar uma foto com ele. Claro que não podia, que estupidez a minha! Estava a jantar com a família e não podia fazer pose durante os segundos que demora a fazer clique na câmara do telemóvel. Pedi imensa desculpa, pela minha ousadia e falta de consideração, em inglês macarrónico devido ao nervosismo e à vergonha misturados em partes iguais, e já me dirigia para a minha mesa quando, mantendo o tom enfadado, me pergunta se eu já estou de saída; caso não esteja, posso falar com o seu manager e combinar com ele o momento da fotografia. Agradeci e voltei para a minha mesa, aliviada por já não ter aquela cara enorme a olhar para mim com ar de desdém. Obviamente não falei com manager nenhum e não há foto para mais tarde recordar. O jantar continuou animado e quando saímos, nem sinal de Mr. Ramsay.

Tom's Kitchen (mosaicos de fotos 2, 3 e 4) - foi aqui que fizemos o brunch de domingo e gostei mesmo muito. Da decoração, da comida, do ambiente. O serviço foi um pouco lento, mas como estávamos numa de preguiçar, não foi nada de dramático. Houve quem escolhesse algo mais tradicional como Eggs Royal, eu escolhi um crumble de vegetais, com umas batatas fritas polvilhadas com parmesão, a acompanhar (confesso: batatas fritas são o meu guilty pleasure). Tudo óptimo. Para beber, havia diversos sumos naturais, uns mais detox do que outros, e houve quem não dispensasse um final doce, como uma tarte de chocolate intenso. Durante o tempo que aqui estivemos, namorei o livro Fish, do fundador do restaurante, e já decidi que vai ser a minha próxima aquisição.

A receita que se segue foi inspirada no crumble desse brunch. Não ficou igual, apenas ligeiramente parecido, mas igualmente saboroso.

Boa semana!
















CRUMBLE DE LEGUMES

Para 4 doses, como entrada

1/2 couve coração ( ou 1 se for pequena)
2 cenouras
1 talo de alho francês
1 cebola grande
3 dentes de alho
2 chávenas + 1/2 chávena de espinafres
1/2 copo de vinho branco
2 chávenas de queijo ralado
2 chávenas de pão ralado com espinafres e alho (2 pães de mistura da véspera)
1 colher de sopa de farinha
Azeite qb
Leite qb
Sal e pimenta preta qb

Numa frigideira colocar um fundo de azeite, a cebola laminada e dois dentes de alho picados.
Deixar alourar e juntar a couve e a cenoura partidas em juliana. Deixar saltear um pouco e juntar o alho francês, mexer e refrescar com o vinho branco. Temperar de sal e pimenta e deixar cozinhar uns 15 minutos em lume médio. Se estiver com pouco líquido juntar um pouco de água.
Entretanto ligar o forno nos 180º e untar 4 tarteiras ou ramequins com azeite.
Prove os legumes e, se já estiverem al dente, junte uma colher de sopa bem cheia de farinha. Envolva bem e junte leite aos poucos. Mexa até estar tudo bem envolvido e cremoso, uma espécie de béchamel. Retifique os temperos, retire do lume e junte duas chávenas de espinafres e uma chávena de queijo ralado, envolvendo bem. Divida pelos recipientes e cubra com o pão ralado misturado com o restante queijo (para o pão ralado, rale o pão num processador de cozinha com 1/2 chávena de espinafres e um dente de alho). Leve ao forno cerca de 15 minutos até estar bem tostado e a borbulhar.


Londres [2ª parte, com Hot Wraps & Quesadillas]



































Conseguir que este post visse a luz do dia não foi fácil.
Em Londres tirei tantas fotografias, que seleccioná-las foi um verdadeiro desafio.
Decidi por isso fazer mais duas 'reportagens': esta, sobre os mercados e a comida de rua, e ainda um outro, em que vos falarei dos restaurantes (e onde vos contarei como foi o meu encontro imediato com Mr. Ramsay...).
No final deste post, uma pequena homenagem, em forma de receita, à street food.

Comecemos por Camden, um labirinto interminável de lojas e bancas de roupa, de bijuteria e acessórios, bancas de quadros e ilustrações, bancas de comida. São mercados dentro de mercados. Camden Lock, Camden Market, Stables Market... A certa altura, quando já não sabíamos bem onde estávamos, damos de cara com o Night Market, um mercado de comida e música ao vivo, com algumas das bancas mais giras que vi nestes dias. Aqui, as bancas não eram de asiáticos, italianos ou mexicanos: eram de ingleses, malta nova, com conceitos de comida de rua originais e apresentação muito cuidada. Apetecia provar tudo!































No dia seguinte, rumámos a Notting Hill. Era o dia dos workshops no Recipease, mas deu tempo para passear em Portobello Road. Apesar do sábado ser o dia mais famoso da feira de velharias e antiguidades, à sexta-feira a rua já se enche de vendedores de artigos usados, nomeadamente loiça e objectos de decoração. Mas aqui velharias há poucas, o que significa que os preços não são nada meigos. Esta zona tem também muitas lojas para explorar. Para além das lojas permanentes de objectos antigos, é aqui que fica a Hummingbird Bakery, a Cath Kidston, a Books for Cooks, a Spice Shop. E é também em Notting Hill que fica um dos restaurantes de Yotam Ottolenghi, que infelizmente não consegui visitar. No final do dia, depois de palmilhados muito quilómetros (estávamos instalados em Chelsea), soube bem comer um cupcake no bonito Battersea Park, junto ao rio.






 

No sábado de manhã, o destino só podia ser um: Borough Market. Um sonho de mercado. As bancas são bonitas, arranjadas, decoradas. Os produtos têm óptimo aspecto (e os preços são a condizer). A oferta é tão diversificada - tanto em produtos como em comida pronta a comer ou a levar - que se podem encontrar coisas tão sui generis como sumo de relva, hambúrgueres de camelo e de canguru, concentrados naturais para fazer sumos verdes, lebres e outros animais de caça frescos (ainda com a pele e as penas), e muito mais. Almoçámos aqui e o difícil foi escolher: havia bancas de hambúrgueres, de pies, de bocadillos, de comida indiana e até uma banca com sandes de leitão assado no espeto. Eu comi um hamburguer de vegetais e halloumi em pão de sementes; o G. comeu um hambúrger de canguru no pão (porque o de camelo estava esgotado, arghhh), e a nossa amiga L. escolheu um mini-empadão do Pie Minister.
O café foi tomado ao lado do mercado, no Monmouth, onde, segundo consta, se bebe o melhor café de Londres. Enquanto aguardamos na fila, faz-nos companhia The Shard, o edifício mais alto da cidade. Ainda ao lado do mercado, vale a pena visitar a Neal's Yard Dairy, uma loja de queijos que é um autêntico paraíso para o pequeno ratatui que há em cada um de nós ;)





Guiados pela L.,  à tarde fomos conhecer o Maltby Street Market. Fica relativamente perto de London Bridge, em Bermondsey. Um dos lados da rua é composto pelos arcos de um viaduto de comboios, o que lhe dá uma magia especial. Há bancas de comidas, de bebidas, há uma padaria e algum artesanato (pelo que percebi, muitas destas lojas funcionam em regime pop-up), tudo com um ar muito cool e relaxado. Pelo menos para já, parece bem mais frequentado por locais do que por turistas. E foi aqui que encontrei a minha loja favorita de toda a viagem: a Lassco, uma loja de filme, um mundo em peças de decoração antigas e vintage, desde cadeiras de salas de cinema a baús e malas de viagem, de lustres a puxadores e números de porta, de brinquedos a máquinas de escrever. E tinha ainda a gama completa da Falcon. Havia que sair dali urgentemente!


















No domingo, o último mercado desta maratona: o mercado de flores de Columbia Road. Como se não bastassem as bancas recheadas e coloridas para nos perdermos, por detrás delas escondiam-se lojas lindas, a maior parte delas de artigos para jardinagem e decoração. É aqui que fica 'A Portuguese Love Affair', com todas aquelas coisas que nos enchem de orgulho: loiça Bordallo Pinheiro, peças da Alma Gémea, as conservas, os sabonetes Castelbel…
No final da rua, o momento surpresa do dia: música ao vivo pelas Sugar Sisters.

E foi assim, embalados pela música catita destas meninas, que partimos para o nosso brunch no Tom's Kitchen. Mas disso falarei no próximo post. Por agora fiquem com uma receita (na verdade, é mais uma sugestão), que costumo fazer cá em casa aos domingos à noite. Sim, porque cá em casa o domingo é dia de street food ;)





























HOT WRAPS & QUESADILLAS MEDITERRÂNICAS

Wraps/tortilhas de compra
Molho de tomate (uso caseiro)
Fiambre, milho, pimento, azeitonas, espinafres e outros ingredientes a gosto
Queijo mozzarella
Óregãos

Para os wraps:
Barre as tortilhas com molho de tomate. Espalhe por cima o fiambre aos pedaços e/ou os restantes ingredientes que pretende usar. Espalhe queijo ralado e salpique com óregãos. Enrole com cuidado - use palitos para ajudar a fechar - e leve ao lume numa frigideira anti-aderente, até ficarem bem quentes e douradas, com o queijo derretido. Estão prontos a servir.

Para as quesadillas:
Numa frigideira anti-aderente, coloque uma tortilha. Espalhe molho de tomate, seguido dos restantes ingredientes (como se fosse uma pizza; muitas vezes também faço esta versão pizza e para que o queijo derreta mais facilmente, coloco uma tampa na frigideira, para o calor não fugir). Coloque outra tortilha e deixe aquecer durante uns minutos em lume médio/alto. Vire com cuidado (use um prato, por exemplo) e deixe cozinhar mais um pouco. Sirva às fatias.