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Porque as festas não são só bolos.




A ideia de ter muita gente para jantar ou almoçar pode parecer assustadora.
Com uma família grande, que gosta de se juntar e celebrar as datas mais importantes, o medo não teve grande hipótese de se instalar cá em casa e são várias as ocasiões em que tenho cerca de trinta pessoas para alimentar.
Esta receita é ideal para esses momentos de festa: vistoso, saboroso e fácil de fazer, é um arroz perfeito para refeições volantes, que combina com os salgados que normalmente pomos na mesa - e que até podem chegar pela mão dos convidados: panadinhos, rissóis, carne assada fatiada e muitas outras opções.
Outra das vantagens deste arroz, é que pode ser feito com os ingredientes que mais gostarem ou com aquilo que andar pelo frigorífico a precisar de destino. Um arroz democrático, que se dá bem com todos e fica bem em qualquer mesa: eu usei feijão verde, cenoura, pimento vermelho, paio e chouriço, mas as combinações são ilimitadas: ervilhas, alho francês, bacon, couve branca, pimento verde...


ARROZ DE FESTA
Para 6-8 pessoas

1 cenoura média
6 a 8 vagens de feijão verde
1/2 pimento vermelho médio (ou 1 pimento vermelho pequeno)
1/2 chouriço de colorau de qualidade
4 a 6 fatias de paio
2 dentes de alho
1/2 cebola média 
1 chávena almoçadeira de arroz agulha
2 chávenas almoçadeiras de água a ferver
Azeite qb
Sal qb

Preparar os legumes e parti-los em cubos ou pedacinhos de tamanho semelhante.
Picar a cebola e o alho.
Preparar os enchidos, retirando a pele ao chouriço e partindo tudo em pedacinhos.
Colocar água a ferver.
Levar um tacho ao lume com um bom fundo de azeite. Juntar a cebola e o alho e deixar cozinhar até a cebola ficar transparente e mole e a querer alourar.
Juntar os legumes ao tacho e deixar saltear. De seguida juntar o chouriço e o paio, mexer e deixar cozinhar um pouco. Adicionar o arroz, envolver tudo muito bem e deixar 'fritar' um pouco. Por fim juntar a água a ferver, temperar de sal e mexer bem. Deixar levantar fervura, tapar, reduzir o lume para o mínimo e deixar cozinhar cerca de 12 minutos. Desligue e mantenha na panela até servir.

Nota: pode facilmente dobrar e triplicar a receita, ajustando o tamanho da panela e o tempo de cozdura.




Das coisas boas de Avintes.



[Texto e receita publicados no jornal Observador em 17 de fevereiro de 2015]

Há mais em Avintes do que broa*. Há amigos. E dos bons. E não é de descuidar a amizade com alguém de Avintes, sobretudo se for um orgulhoso inveterado da sua terra que, entre outras coisas, nos faz chegar a casa a melhor broa – aquela escura e húmida, que nada tem a ver com a que se vê nos supermercados - mesmo que nos separem centenas de quilómetros.

Claro que estas minitartes, de sabores bem portugueses combinados sem segredo, podiam ter sido feitas com outro tipo de broa. Mas não era a mesma coisa.














MINITARTES DE BROA DE AVINTES, ALHEIRA E ESPINAFRES

Para 4 ou 5, dependendo do tamanho das formas

130 g de broa
20 g de azeite
¼ de alheira de boa qualidade
2 chávenas almoçadeiras de espinafres frescos
Azeite qb
2 dentes de alho picados
4 ou 5 ovos de codorniz
Pimenta preta acabada de moer

Pré-aqueça o forno nos 180º. Unte forminhas de queque com manteiga ou azeite e polvilhe com farinha. Rale a broa num processador de cozinha. Junte o azeite e envolva, deve ficar uma massa moldável. Forre as forminhas de tarte com a massa, pressionando-a no fundo e à volta, esticando-a bem com os polegares; não precisa de forrar as paredes das formas até cima. Retire a pele à alheira e distribua o recheio pelas formas. Leve ao forno cerca de 15/20 minutos, até a alheira começar a borbulhar e massa de broa começar a ficar crocante. Entretanto salteie os espinafres (ou outras folhas verdes, como por exemplo grelos previamente cozidos al dente, com 1 dente de alho picado num fio de azeite. Retire as tartes do forno, distribua os espinafres, pressione um pouco para formar uma cavidade em cada tarte e coloque aí um ovo de codorniz (para partir os ovos de codorniz, pouse o ovo numa tábua, segure-o com cuidado e abra-o com uma faca afiada, começando por espetar esta na casca, sem pressionar demasiado). Leve ao forno mais 10 minutos ou até o ovo estar ao seu gosto (vá espreitando). Deixe arrefecer um pouco, desenforme com a ajuda de uma faca, salpique com um pouco de pimenta preta acabada e moer e sirva acompanhado de uma salada.

*Para os interessados, aqui fica a informação de que todos os anos, em setembro, realiza-se a Festa da Broa, uma oportunidade excelente para ficar a conhecer melhor este produto tradicional e, já agora, outros tesouros de Avintes, como por exemplo, o Parque Biológico de Gaia e o Zoo de Santo Inácio.


Um viva às irmãs Tatin.





A Le Creuset dispensa apresentações. Mas a sua sertã específica para tartes tatin, talvez seja desconhecida para a maioria.
Eu própria não sabia que existia tal peça, até iniciar uma parceria com a marca.

Quando pensamos em tarte tatin, lembramo-nos logo da versão original, feita com maçãs (ou outra fruta: no blog encontram duas sugestões - pêssego e ameixa). Mas a verdade é que também podemos fazer tartes salgadas seguindo a mesma técnica: a de cozer a massa virada para cima. E foi com uma versão salgada que estreei a minha sertã (sertã ou tarteira? não sei bem que nome lhe dar), dando uso aos primeiros tomates frescos da época.

Veredicto: aprovadíssima, depois de ter duvidado da sua utilidade, devo confessar. Só o facto de se poder usar a mesma peça para cozinhar e levar ao forno, já é fantástico, se ainda por cima é uma Le Creuset, então somos mesmo umas cozinheiras com sorte.















TARTE TATIN DE CEBOLA E TOMATE

1 base redonda de massa folhada
2 cebolas roxas
2 cebolas normais médias
3 dentes de alho
4 tomates maduros médios
Sal e pimenta preta qb
Orégãos ou outras ervas secas a gosto
Azeite qb
Salsa ou coentros picados para servir

Ligue o forno nos 200º.
Leve a alourar na sertã Le Creuset (ou numa sertã normal), a cebola partida aos rodelas, o alho laminado e um fio de azeite. Tempere de sal e pimenta preta moída na hora e deixe cozinhar até a cebola estar mole e a começar a ganhar cor.
Retire da sertã e reserve.
Lave e fatie os tomates e disponha-os na sertã Le Creuset - ou numa tarteira de ir ao forno, caso a sua sertã não possa ir ao forno).
Polvilhe com um pouco de sal e ervas aromáticas secas a gosto e espalhe por cima a cebola reservada. Cubra com a massa folhada (pode ser que tenha de aparar a massa a toda a volta, se tiver um diâmetro bastante maior do que a sertã/tarteira), ajustando a borda da massa ao recheio, empurrando-a a toda à volta. Pique a massa e leve ao forno cerca de 20/25 minutos.
Deixe arrefecer um pouco e inverta para o prato de servir. Salpique com ervas frescas e sirva com uma salada. Pode também juntar, antes de servir, pedacinhos de queijo mozzarella fresco, queijo feta ou outro queijo a gosto.



Chamem-me gulosa.






























Apesar de gostar de cozinhar de tudo, as receitas que mais me desafiam são as de bolos.
Olhar para um bolo bem decorado e tentar perceber se serei capaz de o reproduzir é dos exercícios mais frequentes quando estou a folhear um livro de cozinha. Apesar do açúcar ser cada vez mais demonizado - e com razão, sobretudo se consumido em excesso - há um lado estético nos bolos e nas sobremesas a que sou incapaz de resistir. E há pessoas que me inspiram de forma especial neste tema dos bolos - não pela sofisticação ou pela complexidade dos seus trabalhos, mas antes pela sua elegante simplicidade (pelo menos aparente).

Uma dessas pessoas talentosas, com olhar apurado e mãos de fada, é a blogger Linda Lomelino, uma sueca de pai português, autora do Call Me Cupcake. O bom gosto e a obssessão pelo detalhe de Linda vêem-se em cada uma das suas fotografias, que fazem escola pela blogosfera e pela internet fora.

Encomendado há já algum tempo, só esta semana me chegou o Lomelino's Cakes, o seu primeiro livro traduzido para inglês. E não foi fácil escolher o primeiro bolo a testar, de entre as 27 receitas promissoras do livro.

Mas a saga - sim, porque já decidi que quero experimentá-las todas - não podia ter começado melhor: este bolo de Oreo, apesar de fruto de uma espécie de desafio de auto-superação, acabou por ser o bolo de aniversário do meu sogro e foi um sucesso. Todos quiseram repetir. E pedirem outra fatia, já se sabe, é o melhor elogio que podem fazer a uma cozinheira.


BOLO DE OREO

Ligeiramente adaptado do livro Lomelino's Cakes

Para a massa de baunilha e Oreo:
60 g de manteiga à temp. ambiente
3/4 de chávena de açúcar
1/2 chávena de leite 1/2 gordo
1 colher de café de extracto de baunilha
1 chávena de farinha s/ fermento
1/2 colher de chá de fermento
1 clara de ovo L
8 bolachas Oreo de tamanho normal

Para a massa de chocolate:
30 g de manteiga
2/3 de chávena de farinha s/ fermento
1/4 de chávena de cacau em pó
1/2 colher de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
1/2 chávena de açúcar
1 ovo M
1/3 de chávena de leite 1/2 gordo
1/4 de chávena de água a ferver

Para o recheio e cobertura:
250 g de queijo mascarpone
3/4 de chávena de açúcar em pó
250 ml de natas p/ bater bem frias
6 bolachas Oreo de tamanho normal

Para a decoração:
14 bolachas Oreo de tamanho normal
10 - 12 bolachas mini Oreo
1 cereja

Comece por fazer os bolos de baunilha e Oreo: pré-aqueça o forno nos 180º.
Unte com manteiga e polvilhe com farinha duas formas de 16 cm e diâmetro, forre o fundo com papel vegetal e volte a untar/polvilhar.
Parta as bolachas em pedacinhos e reserve.
Com uma batedeira eléctrica, bata a manteiga com o açúcar até ficar esbranquiçado e fofo.
Junte o leite e a baunilha. Se parecer que está a talhar, não se preocupe: junte a farinha e o fermento e envolva bem, sem bater demasiado.
Junte a clara de ovo e bata mais um pouco, só até ligar (nesta altura pensei que tinha feito asneira, porque o aspecto da massa não era muito normal, parecia algo deslassada, mas segui em frente e acabou por resultar).
Por fim envolva as bolachas desfeitas, divida pelas formas e leve a cozer cerca de 25 minutos. Estão prontos quando um palito sair com apenas algumas migalhas agarradas.

Deixe arrefecer uns minutos e desenforme. Não desligue o forno, mantendo-os nos 180º.

Faça agora o bolo de chocolate: volte a untar/polvilhar/forrar uma forma com 16 cm.
Derreta a manteiga e deixe arrefecer.
Peneire para uma taça a farinha, o fermento, o bicarbonato e o cacau. Junte o açúcar, o ovo, a manteiga, o leite e a água a ferver. Misture tudo, verta na forma e leve a cozer durante cerca de 30 minutos. Retire, deixe arrefecer uns minutos e desenforme.

Quando os bolos estiverem frios, já pode montar e decorar o bolo final:

Numa taça e com um batedor de varas, bata o queijo mascarpone com o açúcar em pó até obter um creme uniforme e brilhante.
Bata as natas, que devem estar bem frias, com a batedeira eléctrica, até obter picos firmes. Junte estas à mistura do mascarpone e envolva bem. Desfaça 6 bolachas Oreo em pedacinhos e junte a 1/3 do creme de mascarpone e natas (recheio do bolo). Reserve o restante creme (sem bolachas) no frigorífico.
Entretanto, pique num robot de cozinha as 14 bolachas Oreo de tamanho normal, destinadas à decoração, até obter uma espécie de farinha ou pó. Reserve.

Coloque um dos bolos de baunilha no prato de servir. Barre com metade do creme de mascarpone, natas e bolacha. Coloque por cima o bolo de chocolate e barre com o restante creme. Coloque por cima o outro bolo de baunilha, com a parte mais perfeita para cima (normalmente, é o lado do fundo da forma). Retire o creme do frigorífico e barre com este todo o bolo, começando pelo topo e passando depois para as laterais, com a ajuda de uma espátula. Espalhe, com as mãos, o pó de Oreo por todo o bolo - comece pelo topo e depois, com muita paciência, vá enchendo a palma da mão com o pó e aplicando nas laterais do bolo, pressionando ligeiramente. Repita até o bolo estar completamente coberto. Termine decorando com as mini Oreo e a cereja. Leve ao frio até servir.


Notas:

- a aplicação do "pó" de Oreo parece difícil, mas com paciência consegue-se o efeito pretendido e em menos tempo do que se espera; prepare-se para ficar a com área de trabalho coberta de migalhinhas pretas!

- para ter menos trabalho no final, ou seja, não ter de limpar o rebordo do prato de servir, pode forrá-lo, já com o bolo montado, com pedaços de papel vegetal a toda a volta, prendendo-os ligeiramente debaixo do bolo da base; no fim, é só puxar com cuidado pelos papéis e o prato estará limpo;

- o recheio/cobertura da receita original é feita com queijo-creme, mas achei que o mascarpone, que era o que tinha em casa, resultou muito bem;

- se o decorar com várias horas de antecedência, talvez seja melhor colocar as mini Oreo no topo apenas no momento de servir, para não amolecerem.





E tu, o que levarias para uma ilha deserta?
























































[Texto e receita publicados no jornal Observador em 4 de março de 2015]

"O que levarias para uma ilha deserta?" Partindo da premissa de que só podemos escolher um objeto, eu responderia, sem hesitar, que levaria um livro de cozinha. Claro que sendo a ilha ‘deserta’, provavelmente não iria pôr nenhuma receita do livro em prática. Mas o que eu mais gosto num livro de cozinha é de o folhear, de o ler como se fosse um romance, de me perder nas imagens, de recriar mentalmente aquelas combinações. Ao mesmo tempo, rezaria para que na ilha houvesse pelo menos... limões. E sabemos o que fazer quando a vida nos dá limões, certo?

Com sorte encontraria umas garrafas perdidas de rum de um qualquer naufrágio de piratas e, para além de limonada, faria mojitos, que me ajudariam a esquecer o exílio. Sim, porque na ilha haveria também cana-de-açúcar ou arbustos de stevia e, dadas as circunstâncias, nenhum cubano se importaria que eu trocasse a lima por limão.

E se na ilha houvesse ainda framboesas? E se por algum milagre operado pelo santo padroeiro dos náufragos encontrasse um saco de farinha, uma galinha poedeira e uma vaca generosa, a partir de cujo leite pudesse fazer queijo e manteiga? Sonhar não custa, pois não? Nesse caso, nem precisava do livro de cozinha: a receita perfeita seriam estas tartes. Leves e delicadas, a implorarem de mansinho que a primavera não demore a chegar.


MINITARTES DE LIMÃO E FRAMBOESAS
Para cerca de 10

Para a massa:
100 g de farinha de trigo sem fermento (T55)
25 g de miolo de amêndoa com casca moído
60 g de manteiga ou margarina fria
1 ovo pequeno
1 colher de chá de açúcar em pó

Para o recheio
150 g de coalhada de limão*
160 g de queijo mascarpone
20 g de açúcar em pó
1 colher de café de extrato de baunilha
30 framboesas frescas
Folhinhas de hortelã e açúcar em pó para decorar

*Coalhada de limão:
50 ml de sumo de limão
1 ovo L
75 g de açúcar
30 g de manteiga
1 colher de sobremesa de raspas de limão

Comece por preparar a coalhada de limão (lemon curd, no original; se sobrar, use como compota em scones, por exemplo; dura cerca de 15 dias guardada num frasco hermético no frigorífico).
Num tachinho de fundo espesso junte os ovos ao açúcar, mexa bem e junte o sumo de limão, unindo tudo muito bem. Leve ao lume médio, médio-alto, sem deixar ferver, mexendo sempre com um batedor de varas. Deve demorar uns 10-15 minutos a ficar cremoso. Retire do lume e junte a manteiga em pedaços e a raspa de limão. Mexa bem até a manteiga estar derretida, passe para um frasco limpo e deixe arrefecer.

Entretanto prepare a massa: numa taça grande coloque todos os ingredientes, amasse com as mãos até obter uma massa uniforme e moldável. Polvilhe as mãos com farinha, se necessário, molde numa bola, envolva em película aderente e leve ao frio cerca de 30 minutos. Retire, estique a massa numa superfície enfarinhada com um rolo de cozinha e forre as formas. Apare a massa, deixando um rebordo a toda a volta. Coloque um pedaço de papel vegetal por cima da massa, encha de feijões ou pesos próprios de pastelaria e leve ao frigorífico cerca de 15 minutos. Entretanto ligue o forno nos 180º.

Retire as minitartes do frio e leve-as a cozer no nível médio do forno. Após cerca de 15 minutos, retire o papel vegetal e os pesos, e deixe cozer mais cerca de 10 minutos, se possível baixando um nível do forno (para ficarem bem cozidas por baixo). Retire e deixe arrefecer completamente.
Pouco tempo antes de servir, junte o açúcar em pó e a baunilha ao mascarpone.
Coloque uma camada de mascarpone em cada tarte, seguido da coalhada. Disponha as framboesas e termine com as folhas de hortelã e o açúcar em pó. Sirva de seguida.



Say frittata!


















Há palavras de que gosto muito e outras de que não gosto nada.
Há palavras cómicas, há palavras leves, há outras pesadas e cinzentas, que ainda que os seus significados sejam inofensivos provocam-me calafrios.

Quando era pequena costumava associar cores às palavras, aos números e às letras. Por exemplo, o A para mim é branco, o E é amarelo, o I é vermelho, o O é castanho e o U é preto. Há por aí alguém com esta mania? Ou sou só eu que sou maluquinha ;)?

Isto para dizer que adoro a palavra 'frittata'. E apesar de ser uma palavra italiana, apetece-me dizê-la sempre com uma entoação asiática exagerada, bem ao estilo de Mr. Chow do filme "A Ressaca". Got the picture? Aposto que já estão a treinar aí desse lado, eheheh!

Não é novidade que os ovos são aquele ingrediente que melhor nos pode salvar de apuros, quando estamos com a despensa vazia, estamos sem inspiração ou sem grande vontade de cozinhar. Com eles facilmente criamos um prato saboroso e nutritivo. Como esta frittata. Mas a receita que vos trago é só uma ideia, sintam-se livres de fazer outras combinações, mais ao vosso gosto e ao que tiverem no frigorífico. Só têm de me prometer que vão dizer "frittataaaa"!















FRITTATA DE BATATA DOCE E AGRIÃO

(Para 4 pessoas como refeição leve ou para cerca de 6 pessoas como entrada)

1 batata doce grande
6 ovos
1 cebola
2 dentes de alho
50 g de bacon partido em cubos
1 chávena almoçadeira de agriões
1 folha de louro
Sal
Pimenta preta
Azeite
50 g de queijo feta ou queijo de cabra (opcional)
Salsa picada para servir (opcional)

Lave bem a batata doce e leve a cozer com pele num tacho com água abundante temperada com sal.
Numa sertã (idealmente daquelas que podem ir ao forno, como esta da Le Creuset), leve a saltear num fio de azeite a cebola e os alhos picados, juntamente com a folha de louro. A meio do processo junte os cubos de bacon e deixe cozinhar. Entretanto ligue o forno nos 200º.
Quando a batata doce estiver cozida, retirar da água para um prato. Assim que tiver arrefecido o suficiente para lhe poder retirar a pele, faça-o e junte a batata-doce à sertã, retirando antes a folha de louro. Não faz mal se a batata estiver bastante cozida, pode ficar uma espécie de puré. Envolva bem no salteado e tempere com pimenta preta acabada de moer e mais sal, se necessário.
Entretanto bata bem os ovos e tempere-os igualmente de sal e pimenta. Espalhe na sertã os agriões, os pedacinhos de queijo e por fim verta os ovos batidos. Com um garfo, pressione com cuidado os agriões, para ficarem cobertos pelo ovo.
Leve ao forno cerca de 20 minutos ou até os ovos estarem no ponto de que gosta, eu gosto que não cozam completamente...
Polvilhe com salsa picada, se tiver, e sirva com pão e salada.




Celebrar.



















Esta foi a minha primeira receita para a secção Lifestyle do jornal online Observador, publicada por altura do Dia dos Namorados. Uma colaboração que me tem dado bastante prazer e que espero que os leitores do jornal (e os fãs do blog) estejam a gostar de seguir.

E porque não há dia certo para festejar o amor ou para brindar às outras coisas boas da vida, aqui fica esta tarte de aspecto delicado mas de sabor intenso.

Claro que apesar de podermos e devermos viver todos os dias gratos e em clima de celebração, não vamos fazer esta tarte todos os dias, certo? 

[Achei que era melhor colocar aqui esta advertência, uma vez que parece que anda tudo doido com o açúcar, como se só agora se tivesse descoberto que consumido em excesso faz mal à saúde. Se a nossa dieta for equilibrada, dando clara prioridade aos legumes, às leguminosas e à fruta e evitando alimentos processados, podemos de vez em quando 'pecar' com uma fatia desta ou de outra tarte gulosa. Já agora, a propósito deste tema, gosto especialmente de uma frase de Michael Pollan, que é um dos seus princípios para uma alimentação correcta: "Não coma nada que a sua avó não reconhecesse como comida". Ora a minha avó Maria, que é a pessoa que eu conheci que melhor se soube alimentar - e viveu até aos 99 anos - nunca baniu o açúcar da sua dieta]

Se quiserem, como eu, usar saco pasteleiro para cobrir a tarte, certifiquem-se de que usam natas que ficam bem firmes depois de batidas; podem também usar natas vegetais (à venda em lojas de artigos para bolos) ou juntar Chantifix, omitindo neste caso o sumo de limão.



TARTE DE CHOCOLATE E CARAMELO

Para a massa
50 g de miolo de avelã moído
100 g de farinha de trigo sem fermento
10 g de açúcar baunilhado
40 de manteiga ou margarina fria
5-10 ml de água fria

Para a camada de chocolate
200 ml de natas para bater (mínimo 35% de gordura)
1 tablete de chocolate de culinária (200 g)

Para a camada de molho toffee
100 g de açúcar amarelo ou mascavado
125 g de natas para bater (mínimo 35% de gordura)
20 g de manteiga

Para a cobertura
180 g de natas para bater (mínimo 35% de gordura) bem frias
(mesmo depois de terem estado no frigorífico, pode colocá-las uns 15 minutos no congelador antes de batê-las para garantir um melhor resultado)
Algumas gotas de limão
230 g de leite condensado cozido


Pré-aqueça o forno nos 180º e comece por preparar a massa: junte todos os ingredientes numa taça, à exceção da água. Misture-os com as pontas dos dedos, formando uma base homogénea e junte, aos poucos, a água, amassando e vendo sempre se necessita de mais antes de acrescentar. Deve ficar uma massa macia. Passe as mãos por farinha, se for necessário, e forme uma bola. Divida esta em pedaços e espalhe-os pela forma de tarte que vai utilizar e, com a ajuda dos polegares, forre a forma, pressionando, esticando a massa e unindo os pedaços (é mais fácil do que parece; se usar o rolo, a massa vai partir-se). Coloque por cima papel vegetal, encha de feijão, arroz ou pesos próprios e leve ao forno cerca de 15 minutos, retire o papel vegetal e os pesos e volte a levar ao forno cerca de 10 minutos ou até achar que a massa está bem cozida e dourada. Retire do forno e dexe arrefecer completamente.

Entretanto, parta o chocolate em pedaços para uma taça de vidro, cerâmica ou metal e reserve. Leve as natas ao lume médio e, quando fervilharem, coe-as diretamente para a taça do chocolate. Espere uns 5 minutos e mexa bem com um batedor de varas, até obter um creme liso, espesso e brilhante. Deixe arrefecer um pouco e verta sobre a massa da tarte já fria.

Noutro tachinho leve ao lume todos os ingredientes para o molho toffee. Mexa, até a manteiga estar bem derretida e deixe ferver durante alguns minutos para engrossar um pouco (o açúcar mascavado carameliza mais rapidamente, deixe fervilhar apenas 5 minutos; se usar açúcar amarelo vai precisar de mais alguns minutos).
Deixe ficar morno e verta por cima da camada de chocolate. Leve ao frio.

Para a cobertura, bata as natas em chantilly firme (sem adicionar açúcar). A meio do processo junte umas pinguinhas de limão, vai ver que ajuda a ficarem mais espessas (também pode usar natas vegetais, das que se compram em lojas de artigos para bolos e pastelaria e que ficam bastante firmes).
Noutra taça, coloque o leite condensado cozido e mexa bem com um batedor de varas, desfazendo eventuais grumos e deixando-o bem cremoso. Com uma espátula, incorpore delicadamente as natas no leite condensado. Passe este creme para um saco munido de bico pasteleiro e cubra a tarte.
Leve ao frio antes de servir.



Para ver a publicação original, é só clicar aqui.