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21.6.16

Hello Summer!



Rapazes de férias, calor a mais, trabalho a acumular-se. Uma trilogia que me empurra para a cozinha na procura de outro três em um: entretê-los, refrescarmo-nos e traçar um plano B. Sim, porque o A — mantê-los sossegados, ter a casa fresca e conseguir despachar o trabalho — desapareceu tão depressa como os folhadinhos de salsicha nos lanches partilhados.

No momento de tirar as fotos, sinto que se calhar não foi assim tão boa ideia incluí-los como assistentes: queriam à força que os baldes de praia e as formas de plástico fizessem parte do cenário. Se fossem aquelas peças vintage, de lata, que às vezes aparecem nas feiras de velharias e antiguidades, aceitaria de bom grado, mas baldes riscados com asas partidas e formas desemparelhadas, lamento meus amores, mas não posso deixar que ganhem estatuto de props.
Tento disparar rapidamente e, pouco depois, os piratas têm direito ao seu tesouro gelado.
Dez minutos de paz fresquinha.

Falta muito para recomeçarem as aulas?


Texto e receita publicados no jornal Observador em junho de 2015.





GELADINHOS FÁCEIS DE CARAMELO E CHOCOLATE
Para 6
(a quantidade pode variar de acordo com o tamanho das formas)

3 iogurtes naturais tipo grego

180 g de doce de leite ou leite condensado cozido

150 g de chocolate de culinária

Avelãs qb


Numa taça, misture bem o doce de leite ou o leite condensado cozido com o iogurte, até obter um creme uniforme.
Distribua pelos moldes, insira os pauzinhos e leve ao congelador no mínimo oito horas (o ideal é fazer de um dia para o outro).

Um pouco antes de servir, prepare as avelãs: torre-as numa frigideira anti-aderente e retire-lhes a pele, embrulhando-as num pano limpo de cozinha e friccionando-o contra a bancada de trabalho. Pique-as grosseiramente e reserve.

Leve a derreter o chocolate em banho-maria e verta-o para um copo relativamente estreito, mas onde possa mergulhar os gelados.
Retire estes do congelador e dos moldes, mergulhe-os no chocolate derretido e salpique com as avelãs.
Deixe o chocolate endurecer e sirva.



9.6.16

Um pequeno-almoço em forma de tarte [e um giveaway!]

















Antes de passarmos à receita, quero fazer-vos duas perguntas.
A primeira é: gostam desta forma de tarte retangular?
É d'A Metalúrgica Bakeware, uma fábrica no norte do país com 120 anos de existência, cuja qualidade e variedade em formas e tabuleiros de pastelaria leva o nome de Portugal a todo o mundo.

E agora a segunda pergunta: gostavam de ter uma forma assim?
Pois bem, em conjunto com A Metalúrgica, tenho uma forma igual para vos oferecer!
Para participarem neste giveaway, basta:

- Fazer like na página de facebook do Lume Brando (no caso de ainda não serem fãs)
- Fazer like na página de facebook de A Metalúrgica Bakeware (no caso de ainda não serem fãs)
- Preencher e submeter este formulário:




Depois, se forem o feliz contemplado com esta oferta, vão poder fazer esta tarte (e muitas outras!).
Esta é um verdadeiro pequeno-almoço: flocos de cereais, iogurte, fruta e mel.

Perfeita para um brunch entre amigos. As frutas podem variar, os cereais de pequeno-almoço também, os iogurtes podem ser ao vosso gosto e até o adoçante pode não ser o mel. Mas eu, que era tão avessa ao mel (o que eu costumo ter em casa é-me oferecido e apesar da excelente qualidade, tem um sabor demasiado forte que eu tolero apenas em pratos salgados), estou rendida ao mel de rosmaninho biológico, e acho que combina muito bem com a fruta e o iogurte.

O único senão desta tarte: para manter a crocância dos flocos de cereais, não os trituro em demasia e por isso a tarte nunca fica muito perfeita ao desenformar (para além disso, uso azeite, que não une tão bem a base como a manteiga). Se preferirem, podem usar uma receita tradicional de base de cheesecake.

Aproveito para informar que A Metalúrgica Bakeware tem loja online, mas este fim-de-semana (11 e 12 de junho), estará de portas abertas para o 4º Open Day - um evento com muitos descontos e oportunidades a não perder. Saibam tudo aqui.















TARTE DE CEREAIS, IOGURTE E FRUTA

150 g de flocos de cereais com chocolate
25-30 g de azeite virgem extra suave
2 iogurtes naturais tipo grego
1 colher de sopa de mel + algum mel para servir
1/2 colher de café de extrato de baunilha
Frutos vermelhos ou outras frutas a gosto
Folhinhas de hortelã para decorar

Num robot de cozinha, triture os flocos com o azeite.
Forre com esta mistura a base da tarteira, pressionando bem com as mãos.
Leve ao frigorífico durante cerca de 1 hora.
Coloque os iogurtes numa taça, junte o mel e a baunilha e mexa bem.
Faça a camada de iogurte* e espalhe por cima as frutas.
Decore com as folhinhas de hortelã e regue com mais um pouco de mel antes de servir.


*Eu juntei ainda um pouco de mascarpone que tinha no frigorífico a precisar de ser usado, mas não é de todo essencial.






1.6.16

Hoje a criança sou eu.



















As minhas duas coisas favoritas em pastelaria: sprinkles coloridos e coberturas feitas com bico pasteleiro. Quando aparecem juntas, é fácil imaginar-me num mundo encantado de fadas e desejos impossíveis tornados realidade.
Um ambiente mágico feito de nuvens fofas, saltos bem altos e muitas gargalhadas.

Por isso, este ano, para assinalar o Dia Mundial da Criança, decidi mimar a criança que há em mim e fazer uns cupcakes inspirados nesse mundo de fantasia.
Um bocadinho Willy Wonka style, mas com chocolate branco e cores mais suaves.
E pela primeira vez, consegui fazer uma ganache de chocolate branco moldável - uma cobertura que achava impossível de conseguir, depois de várias tentativas falhadas.

Confesso que preferi os queques sem cobertura (a massa também leva chocolate branco e é deliciosa), mas a ideia desta receita, mais do que comer a sério, era comer com os olhos e deixar-me levar.

Feliz Dia da Criança [e que este possa ser celebrado todos os dias]!














CUPCAKES DE CHOCOLATE BRANCO COM SPRINKLES

Para 12

6 claras de ovo
60 g de azeite virgem extra suave
70 g de açúcar
50 g de chocolate branco picado
110 g de farinha sem fermento
1 colher de chá de fermento em pó
1 pitada de sal
2 colheres de sopa de sprinkles coloridos redondos médios

Para a cobertura:
300 g de chocolate branco
185 ml de natas p/ bater
1 colher de sopa de manteiga
Sprinkles coloridos


Comece por preparar a cobertura: parta o chocolate branco em pedaços para uma taça de vidro ou metal. Leve as natas e a manteiga ao lume até começarem a fervilhar. Retire do lume e verta-as (coando-as) sobre o chocolate branco. Espere uns minutos e mexa bem até obter um creme uniforme.
Deixe arrefecer e depois leve ao frigorífico durante umas duas ou três horas.

Entretanto ligue o forno nos 180º.
Distribua as forminhas de papel pelas cavidades de um tabuleiro para 12 queques.
Bata as claras em castelo com uma pitada de sal e reserve.
Bata muito bem o açúcar com o azeite.
Aos poucos, vá juntando as claras e a farinha já misturada com o fermento.
Por fim, envolva o chocolate branco e os sprinkles.
Distribua pelas forminhas e leve ao forno durante cerca de 12-14 minutos ou até um palito sair seco quando espetado no centro de um queque.
Retire do forno, retire os queques do tabuleiro e deixe-os arrefecer sobre uma grade.

Para cobrir, retire a ganache do frigorífico e bata-a com a batedeira elétrica até obter um creme espesso liso. Passe-o para um saco de pasteleiro munido de um bico a seu gosto e cubra os queques.
Termine com os sprinkles.

Notas:

- Usar os sprinkles redondos médios na massa do bolo garante que estes se notam no queque já cozido; já experimentei com os sprinkles granulados (tipo o granulado de chocolate dos brigadeiros mas coloridos) e desbotam na massa;

- Estes queques são uma adaptação de um bolo maravilhoso que vai estar no livro ;)

- Adoro as cores destes sprinkles, são da loja Casa.












24.5.16

Uma casa no campo [e umas minicalzoni para receber os amigos].






Apesar do rap não ser, de todo, o meu estilo de música favorito, gosto muito de Capicua.
Via-a recentemente ao vivo e fiquei a gostar ainda mais.
Mais do que o ritmo, atraem-me as letras.
Uma das minhas favoritas, a par de "Medo do medo", é  a "Casa no Campo".

E hoje, quando decidi partilhar esta receita, criada originalmente para o jornal Observador, lembrei-me dessa música e dessa letra. Porque as fotos foram tiradas numa casa de campo e porque eu própria sonho com uma casa assim, térrea, onde os dias "são como os demais, sem serem todos iguais."

(...)
Quero uma casa no campo como Elis Regina,
Plantar os discos,
Os livros e quem sabe uma menina,
Por mim até podem ser mais,
Um amor como os meus pais,
Os dias como os demais,
Sem serem todos iguais.

Casa no campo com a porta sempre aberta para deixar entrar amigos,
Partir à descoberta,
Ter a minha cama grande com a colcha predileta e um cão desobediente dorme em cima da coberta.
Quero uma casa completa com um pedaço de terra,
E com o espaço quero o tempo para adormecer na relva,
Longe da selva de cimento,
Eu acrescento que quero cultivar mais do que mero conhecimento,
Quero uma horta do outro lado da porta e quero a sorte de estar pronta quando a morte me colher
(...)

Capicua















MINICALZONI DE ESPELTA

Para cerca de 8

Para a massa:

250 g de farinha de espelta
1 ovo M
50 g de água
40 g de azeite
1 boa pitada de sal
1 ovo batido para pincelar

Para o recheio:

250 ml de molho de tomate, de preferencia caseiro
½ chouriço partido em cubos
½ pimento vermelho partido em cubos
1 lata pequena de milho
3 rodelas de ananás ou abacaxi
100 g de queijo flamengo, mozzarella, ou outro que derreta bem
Óregãos secos qb

Pré-aqueça o forno nos 190º.
Coloque a farinha e o sal numa taça. Junte o ovo, a água e o azeite e misture tudo com as mãos. Amasse só até obter uma bola lisa e uniforme.
Enfarinhe a superfície de trabalho e vá esticando pedaços de massa com o rolo (esticar toda de uma vez exige muito espaço e muito esforço!), até ficar com uma espessura de 2 a 3 mm. Recorte círculos com cerca de 14 cm de diâmetro e coloque-os em tabuleiros anti-aderentes ou forrados com papel vegetal. Espalhe duas colheres de sopa de molho de tomate numa das metades de cada círculo (sem que o molho vá até ao rebordo da massa) e distribua os ingredientes, colocando-os por cima do molho, pela mesma ordem que seguiria numa pizza convencional. Dobre cada círculo, tapando o recheio e unido os rebordos com a ajuda de um garfo. Pincele com ovo batido e leve ao forno durante cerca de 20 minutos. Pode servir de lanche a meio da tarde, ou até de refeição leve, acompanhadas de uma boa salada.

Nota: esta massa é mais de empada do que de pizza, por isso não precisa de levedar!




11.5.16

Um bolo como terapia.
































Sei bem que por estes dias não é nada original falar do (mau) tempo.
Mas não há maneira de me conformar com esta primavera desobediente.
Uma primavera tão rebelde que deve andar a pôr os nervos dos publicitários (e dos bloggers*) em franja. Passar por mupis que dizem "O calor pede uma bebida assim", enquanto apertamos a gabardine e abrimos, pela quarta ou quinta vez nesse dia, o guarda-chuva; ou ouvir um spot na rádio que diz "Agora que chegou o bom tempo, vou é sair e divertir-me com os amigos" quando estamos na fila de trânsito típica dos dias cinzentos com o limpa pára-brisas a funcionar, não abona muito a favor das campanhas. A mim, irritam-me.

Não que não tente aceitar esta meteorologia desfavorável. Eu tento, juro. Penso na água que é tão importante; imagino que este ano, felizmente, não vai faltar rega aos agricultores (ainda que uma parte de mim desconfie que daqui a uns meses os telejornais vão estar na mesma a abrir com notícias da seca); penso que este ano é que o Verão vai ser bestial... Mas ao que tudo indica, não é só uma questão de atitude e de pensamento positivo. Está provado que o sol estimula a produção de substâncias como a serotonina, a dopamina e a melatonina, responsáveis pelo bom-humor e boa-disposição. Não é à toa que nos países nórdicos, privados de luz natural durante longos períodos no ano, e onde se registam elevadas taxas de depressão e suicídio, é comum a Terapia da Luz, em que o paciente é exposto a uma luz artificial semelhante à luz solar, de forma a que o corpo possa corrigir o ciclo de sono e produzir as hormonas em falta.

Não sei se por cá vamos começar a adoptar este tratamento para a depressão sazonal, uma vez que a avaliar pelas primaveras passadas, este 'tempo fora de tempo' parece, infelizmente, uma tendência cada vez mais natural. Mas sei que cozinhar - especialmente fazer bolos ou algo que implique ligar o forno, talvez pelo processo da espera - pode bem ser uma espécie de terapia.
Por isso, se o sol não vem até nós, vamos nós ter com o sol, através de um bolo de iogurte com sabor a lima-limão, sementes de papoila, recheio de lemon curd e cobertura de mascarpone e lemon curd: um verdadeiro festim para que, pelo menos durante alguns momentos, possamos esquecer que lá fora continua outono.


*Tirar estas fotos num dia instável como o de ontem foi um filme. Dentro de casa não tinha luz suficiente. Resolvi montar o estaminé na varanda, não estava a chover. Tiro as fotos ao lemon curd, começa a chover, tenho de levar tudo para dentro. Cubro o bolo, dá-se uma aberta e volto para a varanda. De repente, o cinzento do céu vira chumbo e desata a chover a sério. Volto com tudo para dentro, onde, depois do tempo desanuviar um pouco, acabo por fotografar o bolo aberto e a fatia do bolo...
















BOLO DE IOGURTE E LIMA-LIMÃO C/ SEMENTES DE PAPOILA
RECHEIO DE LEMON CURD E COBERTURA DE MASCARPONE E LIMÃO

Para o bolo:
[adaptado da revista Saveurs - Spécial Desserts 2016]

3 ovos L
150 g de açúcar
200 g de farinha s/ fermento
80 g de azeite extra virgem suave
1 iogurte natural
2 colheres de chá de fermento em pó
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
Raspa e sumo de 1 lima e 2 limões
2 colheres de sopa de sementes de papoila

Para o recheio, cobertura e decoração:

1 dose de lemon curd*
1 embalagem de mascarpone
Rodelas de limão e lima, hortelã ou outras folhas verdes a gosto

*Lemon curd
50 ml de sumo de limão
1 ovo L
75 g de açúcar
1 colher de sobremesa de raspas de limão
30 g de manteiga à temperatura ambiente


Comece por preparar o lemon curd: leve ao lume o ovo bem misturado com o açúcar e o sumo de limão. Com um batedor de varas, mexa sempre para não ganhar grumos, até engrossar.
Deve demorar cerca de 10 minutos. Retire do lume e incorpore a manteiga em pedaços e a raspa de limão. Mexa até a  estar bem derretida e dissolvida no creme.
Passe para um frasco esterilizado, tape, deixe arrefecer e guarde no frigorífico.

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Unte muito bem duas formas de 20 cm de diâmetro, polvilhe com farinha, forre-lhes o fundo com papel vegetal e volte a untar/polvilhar (em alternativa, use spray desmoldante em vez da manteiga e da farinha, mas use na mesma o papel vegetal).
Numa taça, bata os ovos com o açúcar. Junte o azeite e depois a farinha, o fermento e o bicarbonato.
Adicione o iogurte, depois o sumo e a raspa da lima e dos limões. Por fim, envolva as sementes de papoila. Divida pelas duas formas e leve ao forno cerca de 20-22 minutos - faça o teste do palito antes de retirar. Desenforme e deixe arrefecer.

Para rechear e cobrir: coloque um dos bolos no prato de servir, com o lado mais perfeito virado para o prato. Barre com duas colheres de sopa de lemon curd, e coloque o outro bolo por cima, com o lado mais perfeito virado para cima.
Numa taça, bata bem o mascarpone. Junte-lhe o restante lemon curd e mexa bem. No início poderá parecer demasiado espesso, mas continue a bater com o batedor de varas, até ficar uma espécie de creme de manteiga macio e brilhante. Cubra todo o bolo com a ajuda de uma espátula, retirando o excesso, nomeadamente das laterais do bolo. Decore com as rodelas de lima e limão e algumas folhinhas verdes ao seu gosto. Leve ao frigorífico antes de servir (pode fazer o bolo de véspera: no dia seguinte os sabores estão ainda mais pronunciados e vai saber ainda melhor; neste caso, pode cobrir na véspera mas coloque as rodelas de lima e limão apenas no dia).

Mais receitas para quem gosta de limão:

Mousse de limão instantânea
Cupcakes de limão
Bolo de limão
Bolo de limão c/ cobertura de chocolate branco
Bolo de limão e sementes de papoila da avó do Jamie
Caixinhas de chocolate com lemon curd e framboesa
Minitartes de mascarpone, framboesa e lemon curd
Pudim de limão
Tarte merengada de limão
Quadrados de limão



4.5.16

Olha a bela da sardinha!





Há já uns meses, fui convidada para fazer um showcooking no Continente Maia Jardim, no âmbito de uma parceria com o gabinete de Turismo da Câmara Municipal da Maia/Maia Welcome Center. A ideia era apresentar receitas inspiradas no receituário do concelho e, depois de várias pesquisas, optei por usar sardinhas (bolos de sardinha e sardinhas de escabeche fazem parte da cozinha maiata tradicional, muito influenciada pelo Minho e toda a região do Douro Litoral), e fazer um arroz doce, numa versão mais tropical. Depois de testadas e aprovadas em casa, as receitas passaram com distinção no pequeno evento, mas por vários motivos que se foram atropelando, ainda não tinha conseguido trazê-las aqui para o blog.

Hoje, finalmente, consigo publicar a receita com sardinhas: uns queques muito simples de fazer, que ficam fofos e deliciosos e são uma maneira diferente de aproveitar as nossas conservas maravilhosas.
Uma lata de sardinhas em tomate (adoro a versão picante!) e meia dúzia de ingredientes básicos, é tudo o que precisam para fazer estes queques salgados e fazer um brilharete no próximo lanche ou piquenique entre amigos, agora que parece que o bom tempo chegou de verdade (vamos esquecer que dão chuva para o fim de semana, os senhores da meteorologia também se podem enganar, não é?)

Uma nota antes de passarmos à receita: normalmente coloco uma camada de massa na forma do queque, depois um pouco de recheio e termino com mais massa. Desta vez, resolvi colocar os pedacinhos de sardinha apenas no final, mas apesar de ficarem mais bonitos - e mais crocantes, pois os pedacinhos acabam por secar um pouco - acho que gosto mais da versão original, em que ficam tipo queque 'surpresa', como estes aqui.
















QUEQUES DE SARDINHA
Para cerca de 10-12

1 lata de sardinhas em tomate
1 chávena* de farinha s/ fermento
1 colher de sopa de fermento em pó
1 chávena* de leite
1 colher de sopa de manteiga derretida
1 ovo, separado
1 pitada de sal
1 pitada de pimenta preta acabada de moer (se as sardinhas não forem picantes)
1 colher de sopa de salsa picada

*Chávena com 250 ml de capacidade

Ligue o forno nos 180º.
Prepare as forminhas de papel colocando-as num tabuleiro com 12 cavidades para queques.
Pique a salsa e reserve.
Retire as sardinhas da lata, com o molho, para uma tábua de cozinha, pique-as com uma faca e reserve.
Numa taça, coloque a farinha, o fermento e o sal (e a pimenta, se for caso disso) e junte o leite aos poucos - antes da última adição de leite, junte a gema e a manteiga derretida. Mexa e junte o resto do leite. Envolva a salsa.
Bata a clara em castelo e envolva no preparado anterior.
Distribua um pouco de massa por cada forma de papel, distribua os pedacinhos de sardinha e volte a cobrir com mais massa (em alternativa, distribua logo a totalidade da massa por todas as formas e espalhe os pedacinhos de sardinha por cima dos queques, empurrando um pouco alguns pedacinhos).
Leve ao forno cerca de 25 minutos.




29.4.16

A primavera, finalmente.



















Gloriosa primavera.
Finalmente começamos a sentir-te. E sabes tão bem!
Ainda não vais segura, mas já vais formosa.
Confesso que ainda me surpreendo com a tua luminosidade ao fim do dia. Depois deste inverno que parecia não querer acabar, ainda estranho sair de casa sem casaco grosso ou guarda-chuva. Mas, como dizia Fernando Pessoa nos seus tempos de publicitário sobre uma conhecida marca de refrigerante, "primeiro estranha-se e depois entranha-se". E eu cá estou, pronta para usufruir das coisas boas da época entranhadas nos meus dias: a temperatura amena, a roupa mais leve, o semblante desanuviado das pessoas na rua, a vontade de planear saídas e atividades com os rapazes, um café numa esplanada, as receitas com fruta da estação.

Esta galette foi a receita que levei esta semana ao programa Olá Maria, no Porto Canal (quem segue o Lume Brando no facebook já a tinha visto, numa foto de telemóvel!) e é um brinde à minha estação do ano preferida, com morangos como protagonistas.
E apesar de rústica e tosca, esta tarte também pode ser um mimo para as mães, cujo dia se celebra já este domingo. Afinal, os filhos também nunca são perfeitos ;)


GALETTE DE MORANGOS MARINADOS EM BALSÂMICO

Para a massa:
100 g de farinha s/ fermento
50 g de farinha de amêndoa (amêndoa com pele moída)
50 g de manteiga fria partida em pedaços
1 colher de sobremesa de açúcar amarelo
1 ovo pequeno

Para o recheio:
500 g de morangos
2 colheres de sopa de vinagre balsâmico
4 colheres de sopa de açúcar amarelo
Uma mão cheia de amêndoas laminadas

Raspa de limão para polvilhar no final
Folhinhas de hortelã para decorar


No mínimo com uma hora de antecedência, lave, seque e tire os pés aos morangos, corte-os a meio e coloque-os numa taça juntamente com o açúcar e o vinagre balsâmico. De vez em quando mexa-os e envolva-os na calda.

Entretanto prepare a massa: coloque todos os ingredientes numa taça grande e amasse com as pontas dos dedos até obter uma massa moldável. Forme uma bola achatada, envolva em película aderente e leve a frigorífico durante cerca de 30 minutos.

Pré-aqueça o forno nos 160º ventoinha (ou 180º se o seu forno não tiver ventoinha).
Retire a massa do frigorífico e estique-a em forma de círculo sobre uma superfície enfarinhada e com a ajuda de um rolo de cozinha, deve obter um círculo grande (pode ser tosco e irregular, até tem mais graça!), com uma espessura de cerca de 2 mm, no máximo. Passe a massa com cuidado para um tabuleiro forrado com papel vegetal.

Escorra os morangos e espalhe-os na massa, deixando uma margem larga a toda a volta.
Dobre esta margem de massa para o interior da tarte.
Leve ao forno na posição médio cerca de 45 minutos. Uns 15 minutos antes de terminar a cozedura, espalhe algumas amêndoas laminadas e leve de novo ao forno.

Sirva morna ou fria polvilhada com raspa de limão, decorada com folhinhas de hortelã e acompanhada de iogurte natural, mascarpone ou natas batidas.

Nota: esta não é uma tarte muito doce, os mais gulosos talvez queiram polvilhá-la com um pouco de açúcar antes de ir ao forno.

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