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11.2.16

O amor está na mesa.






























Ok, por aqui não se costuma celebrar o S. Valentim.
Não fazemos nenhum jantar romântico, não trocamos prendas.
O Dia dos Namorados chega muitas vezes em forma de postal, desenhado e escrito pelos mais novos na aula de inglês (e que bom que é, ainda acharem que a mãe é a sua girlfriend!)

Mas gostamos de mimos sem data marcada e muitas vezes faço uma sobremesa especial, ao gosto do provador-mor.
No último fim-de-semana, o sabor escolhido foi castanha.
Fiz éclairs e profiteroles, recheei-os com creme de nata e castanha e cobri-os com glacé de chocolate e café.
Como correu tão bem mas não tive oportunidade de fotografar, decidi voltar a fazer a sobremesa, mas desta vez com um twist (ou, melhor dizendo, um atalho, para que seja ainda mais fácil e rápido fazer uma sobremesa daquelas que geram 'uaus' instantâneos).
Para além disso, a receita da massa dos éclairs já está aqui, podem sempre fazê-los, se preferirem.

Para criar esta espécie de mil-folhas, primeiro pensei em usar placas de massa folhada (um dia destes vou experimentar, com este mesmo creme), mas depois passei os olhos por uma caixa de bolachas 'belgas', que de vez em quando gosto de servir a acompanhar gelado, e achei que iam ficar muito bem numa sobremesa assim, às camadas.

E, modéstia à parte, acho que resultou mesmo. Já estou a imaginá-las a fazer de entremeio numa sobremesa com chantilly, frutos vermelhos e ganache de chocolate... omg!

Escusado será dizer que não é uma sobremesa para todos os dias. É doce e intensa, macia e crocante ao mesmo tempo.
Poderosa e reconfortante. Tal como deve ser o amor.
Amor esse que, ao contrário desta sobremesa, podemos e devemos consumir em doses generosas, todos os dias!















MIL-FOLHAS FINGIDO DE CASTANHA COM MOLHO DE CHOCOLATE E CAFÉ

Para 2

6 bolachas 'belgas' finas
120 g de doce de castanha de compra (uso este)
60 g de natas batidas sem açúcar (pesei depois de batidas)
30 g de chocolate de culinária (mínimo 52% cacau)
15 g de manteiga
1 colher de sopa de café
Cacau em pó para polvilhar


Comece por preparar o molho: leve o chocolate ao lume em banho-maria. Assim que estiver derretido, junte a manteiga e mexa bem. Por fim junte o café (ou água, se preferir). Mexa bem e reserve.
Bata as natas até obter picos firmes (a meio do processo junte umas pingas de sumo de limão, ajuda a prender as natas). Pese a quantidade indicada e junte ao doce de castanha. Mexa bem com um batedor de varas.
Coloque este creme num saco de pasteleiro munido de um bico 'estrela'.
Coloque um pouco de creme no centro do prato de servir, para funcionar como 'cola'.
Pouse uma bolacha, pressionando um pouco para agarrar o creme.
Faça montinhos de creme por cima da bolacha e pouse outra bolacha em cima. Repita, terminando com uma camada de creme.
Coloque um pouco de molho de chocolate no prato e termine polvilhando com cacau em pó.
Sirva com mais molho de chocolate à parte.

Nota: monte a sobremesa só na altura de servir, para que as bolachas não amoleçam!








3.2.16

Descobrir: um dos verbos-resolução para 2016.

















Descobrir os meus verdadeiros limites.
Descobrir mais talentos e qualidades nos meus filhos, do que defeitos e feitios.
Fazer vir ao de cima o melhor de mim. E o melhor dos outros.
Descobrir palavras, descobrir ideias, descobrir novas formas de fazer render o dia.
Descobrir saberes e sabores. Todos os dias, aprender algo novo.
O verbo descobrir é poderoso e um dos que mais quero praticar em 2016. E parece que não comecei mal.

Uma das minhas primeiras descobertas do ano (ou foi a Ana que me descobriu a mim?!) tinha de partilhá-la convosco.
Tratam-se dos melhores cogumelos que me lembro de alguma vez ter comido.
Desafiada a ir conhecer a produção de cogumelos shiitake da Casa do Chascada, situada entre a Maia e Vila do Conde, vim de lá carregada destas coisinhas fofas que parecem saídas dos contos de fadas. Usei-os em mais do que uma receita, mas gostei especialmente desta salada morna, coroada com um ovo caseiro escalfado.
O cogumelo shiitake, apesar de parecido na forma com os cogumelos mais comuns, o 'paris' e o 'marron', tem uma textura e um sabor distintos. É mais carnudo e sabe precisamente... a carne. E como é rico em proteínas, à semelhança das outras espécies comestíveis de cogumelos, pode mesmo substituir a carne ou o peixe numa refeição, para além de apresentar outras vantagens nutritivas.

Muito versáteis, estes cogumelos ficam bem em assados de legumes, em risottos e massas, em recheios de empadão ou salteados e adicionados a uma simples salada de agrião, como esta.

A Casa do Chascada é um projeto recente, está a ser ultimado o site e a página de facebook, mas a Ana já aceita encomendas. Caso estejam interessados é só ligar o 963 266 298 ou mandar email para: anamoreira@casadochascada.com















SALADA DE AGRIÃO COM COGUMELOS SHIITAKE E OVO ESCALFADO

Para 2

250 g de cogumelos shiitake
150 g de agriões lavados e bem escorridos (uso o secador de saladas, normalmente usado para a alface - aconselho!)
1 chávena de rúcula
Algumas folhas de alface iceberg
3 ou 4 rodelas de chouriço ou 2 fatias de bacon partidas em tiras
2 ovos
2 dentes de alho
Sal e pimenta preta qb
Azeite Virgem Extra qb
Vinagre balsâmico qb
Vinho do Porto qb.
2 ou 3 hastes de tomilho fresco
2 colheres de sopa de pão ralado aromatizado caseiro

Limpe os cogumelos suavemente com papel de cozinha (mas quase que nem é preciso limpar, pois estes cogumelos nascem em troncos, não têm areia nem terra) e corte-lhes a parte mais dura do pé, que deve descartar. Parta ao meio apenas os maiores.
Numa frigideira antiaderente, coloque o pão ralado e deixe alourar, é um processo muito rápido. Retire para uma taça e deixe arrefecer para ficar crocante.
Nessa mesma frigideira, coloque um fio de azeite e quando estiver quente, junte os cogumelos, o alho picado e o chouriço partido em pedaços (ou o bacon).
Deixe cozinhar até o alho começar a dourar.
Tempere com sal e pimenta preta acabada de moer, envolva bem e junte um fio de vinagre balsâmico e outro de vinho do Porto. Junte as folhinhas de tomilho, deixe evaporar e cozinhar mais um pouco.
Se achar que ainda não estão no ponto mas estão com pouco líquido, junte um pouco de água. Retifique os temperos, se for necessário, salpique com mais algum tomilho e reserve.

Para escalfar os ovos, coloque um tacho com água ao lume e siga o método amador mais eficaz: corte dois quadrados generosos de película aderente e pincele-os com azeite.  Forre o interior de uma chávena de café com um dos pedaços de película, com o lado do azeite virado para cima. Parta um ovo aí para dentro e una bem as pontas da película aderente, formando um pequeno embrulho. Ate as pontas com um atilho dos sacos de congelação, e mergulhe na água a ferver. Repita com o outro ovo. Devem demorar cerca de 5 minutos a ficar no ponto, ainda com a gema um pouco crua.

No prato de servir, misture a rúcula, a alface e o agrião. Tempere a seu gosto.
Junte os cogumelos salteados com o chouriço ou o bacon, envolva e coloque por cima os ovos, que desembrulhou com cuidado da película aderente.
Polvilhe com pimenta preta e o pão ralado crocante.
Está pronto a comer!




29.1.16

Volta cupcake, que estás perdoado.


















Como em quase tudo, também a culinária se faz por fases ou modas.
Há uns anos um hit em qualquer festa de aniversário, o cupcake depressa perdeu protagonismo, talvez pelas suas coberturas muitas vezes exageradas e enjoativas — até do ponto de vista estético –, talvez pela crescente e generalizada preferência por doces mais saudáveis.

Mas se houver uma festa de aniversário ou um jantar de fim-de-semana especial, temos álibi para voltar a pôr os cupcakes na mesa.
Estes até se comem sem culpa: são feitos com as clementinas inteiras, casca e tudo; a gordura que levam é azeite, e a cobertura (e o recheio) é uma simples ganache de chocolate preto.
Elegantes e deliciosos, tenho a certeza de que irão surpreender todos aí em casa.

Bom fim-de-semana!




















CUPCAKES DE CLEMENTINA E CHOCOLATE
Para 10

3 clementinas (ou tangerinas) pequenas
3 ovos
130 g de açúcar

125 ml de azeite suave
200 g de farinha
1 colher de chá bem cheia de fermento

Para o recheio e  cobertura:
300 g de natas
300 g de chocolate de culinária (mínimo 52% cacau)

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Prepare as forminhas de papel e distribua-as pelas cavidades de uma forma para queques.
Lave bem as clementinas e corte-as em quartos.
Retire as pevides que encontrar e triture as clementinas, com a casca, num robot de cozinha ou num liquidificador.
Junte os ovos e o açúcar e bata bem.

Adicione o azeite e volte a bater mais um pouco..
Adicione por fim a farinha e o fermento e bata a uma velocidade baixa ou então envolva estes ingredientes manualmente.
Distribua pelas forminhas de papel (encha-as até cerca de ¾) e leve ao forno entre 12 a 15 minutos.
Entretanto prepare a ganache de chocolate para o recheio e cobertura: parta o chocolate em pedaços e coloque-os numa taça de vidro ou metal.
Leve as natas ao lume num tachinho de fundo espesso, em lume médio, e assim que começarem a querer levantar fervura, coe-as diretamente para a taça do chocolate (coar as natas evita que passe para o chocolate aquela pele branca da gordura que vai ganhando à superfície).
Aguarde um ou dois minutos e depois mexa bem com um batedor de varas até obter um creme liso e brilhante. Deixe arrefecer.
Assim que o creme estiver frio, abra com uma faca de serrilha uma cavidade no centro de cada queque, reservando a massa que retirou, e coloque aí um pouco de ganache. Volte a tapar, pressionando um pouco.
Entretanto, deixe a restante ganache ganhar consistência. Quando vir que está moldável mas que aguenta a forma (pode colocar no frigorífico para acelerar o processo, mas o ideal é atingi-lo à temperatura ambiente), coloque-a num saco descartável de pasteleiro munido de um bico estrela largo, e decore os queques.
Se quando for decorá-los, as formas de papel tiverem começado a descolar, o que por vezes acontece, retire-as e coloque os queques numa forminha de papel nova, para que fiquem mais bonitos.

Receita publicada no jornal Observador em 2/12/2015


21.1.16

Se a vida te der limões, faz... pudim.
















Não consigo estar muito tempo sem experimentar receitas novas em que o limão é a estrela principal.
Num zapping ensonado, há já bastante tempo, encontrei a Donna Hay a fazer esta espécie de pudim de limão. Parecia tão simples e delicioso que consegui superar a preguiça e apontar a receita num pedaço de papel, que guardei no meio de um livro qualquer (organização, como podem ver, é a minha especialidade ;)

Esta semana encontrei o papelinho, reli a receita e não hesitei: fui para a cozinha.
Primeiro teste: massa deliciosa antes de ir ao forno, massa com uma textura fantástica mas com um travo muito amargo depois de cozida. Por quê? Porque a receita original diz para usarmos o limão com a casca.
Concluí que os limões australianos devem ser diferentes dos nossos.

Como adorei a textura da sobremesa, decidi repetir, retirando a casca ao limão.
Desta vez, muito melhor! A minha sorte foi não ter gelado em casa, se não a desgraça tinha sido maior.

Fica uma espécie de lemon curd gelatinoso, completamente viciante (pelo menos para maluquinhos por limão, como eu), e é tão rápido e fácil de preparar que é uma boa solução para quando surgem convidados para jantar e não temos tempo para algo mais elaborado.
Ah, e é bom quente, morno ou frio!















PUDIM DE LIMÃO
[adaptado de uma receita de Donna Hay]

Para 3 ramekins como os da foto
Pode facilmente dobrar a receita

1 limão médio
200 g de açúcar (ou ajuste de acordo com o limão)
3 gemas
200 ml de natas (1 embalagem)
30 g de manteiga derretida
2 colheres de sopa de amido de milho
Açúcar em pó para decorar

Pré-aqueça o forno nos 160º.
Unte ligeiramente os ramequins ou um assadeira pequena.
Apare as pontas do limão e, sobre uma tábua de cozinha, descasque-o a toda a volta, retirando toda a pele branca. Parta-o em 8 e retire as pevides.
Coloque o limão juntamente com o áçucar num processador de cozinha e triture muito bem.
Junte os restantes ingredientes, envolva tudo muito bem no processador e verta para a(s) forma(s).
Leve a cozer durante cerca de 30 minutos.
Quando pronto, deve ter uma crosta ligeiramente dourada, mas deve ainda estar pouco consistente no centro.
Polvilhe com açúcar em pó e sirva com framboesas frescas, natas batidas ou uma bola de gelado.



7.1.16

Feliz 2016!













Esta sopa foi feita quando a dupla outono-inverno ainda não tinha dado um ar de sua graça.
Se bem se lembram, novembro e dezembro foram meses invulgarmente amenos e falava sobre isso no texto que escrevi para o Observador. Ainda que não goste do tempo cinzento, do frio e da chuva, que nos últimos dias não têm dado tréguas, senti na altura um certo desconforto pelas trocas e baldrocas climáticas. Se é para bater o dente e apanhar molha, que seja na altura de que falam os livros infantis sobre as quatro estações e que aprendemos quando andávamos na escola (bem sei que também tenho a minha quota parte de responsabilidade nestas alterações... mas esse mea culpa ficará para outra ocasião).

Janeiro, ao que parece, vai fazer jus à sua estação no hemisfério norte. E para lhe fazermos frente (assim como aos excessos típicos das últimas semanas) nada como uma sopa que seja ao mesmo tempo saudável e reconfortante. E esta vem com um bónus: umas bruschettas de cogumelos deliciosas.
Bom Ano!













CREME DE ABÓBORA E CENOURAS ASSADAS COM BRUSCHETTAS DE COGUMELOS

Para duas pessoas, como refeição leve

Para o creme de abóbora e cenouras assadas:
200 g de abóbora menina ou manteiga
200 g de cenoura
1/2 cebola roxa
2 dentes de alho
450 ml de água a ferver
Azeite qb
Sal qb
Pimenta preta qb
Tomilho seco qb
Leite de coco e pevides de abóbora para servir

Para as bruschettas:
4 fatias de pão de mistura
200 g de cogumelos marron
2 dentes de alho
1 fio de azeite
Sal e pimenta preta qb
Queijo-creme qb
Uma mão-cheia de rúcula

Ligue o forno nos 200º.
Descasque a abóbora e as cenouras e parta-as em pedaços.
Parta a cebola roxa em meias-luas e esmague os dentes de alho.
Coloque tudo num tabuleiro de ir ao forno e tempere com azeite, sal, pimenta preta e tomilho.
Leve ao forno durante cerca de 1 hora ou até a cenoura e a abóbora estarem bem macias.
Retire do forno e descarte as peles do alho.
Coloque o alho, a cebola, a abóbora e a cenoura num tacho (ou num robot de cozinha) e junte a água a ferver. Mexa bem e deixe levantar fervura.
Triture tudo com a varinha mágica (ou com o robot).
Prove e retifique os temperos. Se achar que está muito espesso, junte mais água e deixe levantar fervura novamente.

Entretanto, prepare as bruschettas.
Aproveite o calor do forno para tostar as fatias de pão.
Numa frigideira antiaderente salteie os cogumelos fatiados num fio de azeite com os alhos picados. Tempere com um pouco de sal e pimenta preta.
Barre as fatias de pão com queijo-creme e tempere com pimenta preta.
Disponha os cogumelos salteados e termine com a rúcula.

Quando servir, adicione ao creme um fio de leite de coco e polvilhe com sementes de abóbora (se a abóbora que usou tiver sementes, pode aproveitá-las tostando-as no forno — siga as indicações desta receita).

Receita publicada no jornal Observador em 18/11/2015.